O conceito da moda circular

moda circular

03/07/2017 • Moda Sustentável

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O conceito de moda circular foi usado pela primeira vez na primavera de 2014 por dois “atores”, quase simultânea e independentemente uns dos outros. Na verdade, 2014 foi o ano em que a noção de uma economia circular se desenvolveu fortemente na agenda política na Suécia e na Europa e possivelmente em outros lugares também. Os conceitos de economia circular serviram de pilares para a criação e desenvolvimento do conceito de moda circular, como veremos a seguir.

Um desses atores foi a Dr. Anna Brismar, chefe e dona da empresa de consultoria sueca Green Strategy. A Dr. Brismar usou o termo moda circular pela primeira vez em junho de 2014 em uma reunião inicial do projeto ao planejar um evento de moda sustentável no centro de Estocolmo (evento nomeado de CIRCULAR FASHION – SHOW & TALK 2014). Como gerente e desenvolvedora do evento, a Dr. Brismar apresentou a primeira definição e princípios de moda circular, que constituíram a base teórica do evento como orientação para marcas envolvidas no desfile de moda, bem como para indivíduos que participaram dos dois debates do painel (composta por importantes profissionais do cenário da moda sustentável e têxteis na Suécia).

Outro ator que inicialmente usou o termo “moda circular” foi a H&M, especificamente a equipe de sustentabilidade na sede da H&M em Estocolmo. O pessoal da H&M utilizou o termo internamente em meados de maio de 2014 e pela primeira vez oficialmente em julho de 2014 durante uma apresentação pública no evento “Semana de Almedalen” (em Gotland), no sul da Suécia.

O conceito de moda circular, conforme definido pela Dr. Brismar, baseia-se nos principais princípios da economia circular e do desenvolvimento sustentável, e se relaciona com a indústria da moda em um sentido amplo, ou seja, vestuário, bem como sapatos e acessórios estão em foco. Os dezesseis princípios-chave da moda circular dizem respeito ao ciclo de vida de um produto, do design e do sourcing, à produção, transporte, armazenamento, comercialização e venda, bem como a fase de usuário e o fim de vida do produto. Com base no quadro de economia circular da Fundação Ellen MacArthur, aqui é proposta uma definição coerente de moda circular:

A moda circular pode ser definida como roupas, sapatos ou acessórios que são projetados, produzidos e fornecidos com a intenção de serem utilizados de forma responsável e eficaz na sociedade tendo maior tempo possível de vida útil e que, em seguida, retornam com segurança para a biosfera quando já não passíveis de uso humano. (Dr. Anna Brismar, 2017, circularfashion.com)

Os dezesseis princípios-chave da moda circular são definidos a partir da perspectiva do produtor – os 13 primeiros – e também sob a perspectiva do consumidor – os 3 últimos.

Princípio 1: Design com um propósito
Princípio 2: Design para longevidade
Princípio 3: Design para eficiência de recursos
Princípio 4: Design para biodegradabilidade
Princípio 5: Design para reciclagem
Princípio 6: Fonte (fornecedor) e produção mais localmente
Princípio 7: Fonte (fornecedor) e produção sem toxicidade
Princípio 8: Fonte (fornecedor) e produção com eficiência
Princípio 9: Fonte (fornecedor) e produção com fontes renováveis
Princípio 10: Fonte (fornecedor) e produção com boa ética
Princípio 11: Fornecer serviços para apoiar uma vida útil longa
Princípio 12: Reutilizar, reciclar ou compostar todos os restos
Princípio 13: Colaborar bem e amplamente
Princípio 14: Usar, lavar e reparar com cuidado
Princípio 15: considerar aluguel, empréstimo, trocas, segunda mão ou redesenho em vez de comprar novos
Princípio 16: Comprar qualidade em oposição à quantidade

Em outras palavras, os produtos de moda devem ser projetados com grande longevidade, eficiência de recursos, não toxicidade, biodegradabilidade, reciclabilidade e boa ética em mente. Da mesma forma, eles devem ser obtidos e produzidos com prioridade para recursos locais, não tóxicos, renováveis, biodegradáveis ​​e recicláveis, bem como práticas eficientes, seguras e éticas.

Além disso, os produtos devem ser utilizados durante o maior tempo possível, através de bons cuidados, reparos, remodelações e compartilhamento entre usuários múltiplos ao longo do tempo (através de aluguel/empréstimos, de segunda mão, trocas e etc.). Posteriormente, os produtos devem ser redesenhados para dar ao material e aos componentes uma nova vida.

Por fim, o material e os componentes devem ser reciclados e reutilizados para a fabricação de novos produtos. Se não for apto para reciclagem, o material biológico deve, em vez disso, ser compostado para se tornar nutriente para plantas e outros organismos vivos no ecossistema. Em geral, o ciclo de vida dos produtos não deve causar danos ambientais ou socioeconômicos, mas sim contribuir para o desenvolvimento e bem-estar positivo dos seres humanos, dos ecossistemas e das sociedades em geral.

Fonte: Circular Fashion
Imagem destaque reprodução via

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