
Do capulho aberto no campo até a camiseta pendurada na arara, o algodão atravessa pelo menos cinco etapas industriais, e em cada uma delas há escolhas que pesam no meio ambiente. O Dia Mundial do Algodão, celebrado em 7 de outubro, é uma boa ocasião para seguir esse percurso. A data nasceu em 2019, por iniciativa de quatro países produtores africanos — Benin, Burkina Faso, Chade e Mali — junto à Organização Mundial do Comércio, e foi reconhecida pela Assembleia Geral das Nações Unidas em agosto de 2021, que passou a proclamar o 7 de outubro de cada ano como dia dedicado à fibra.
O algodão é uma planta cultivada principalmente pelo fruto, o capulho, que se abre e revela a pluma branca presa às sementes. O Brasil está entre os maiores produtores e exportadores mundiais, com o cultivo concentrado no Cerrado, especialmente em Mato Grosso e na Bahia.
No campo estão alguns dos impactos mais discutidos da cadeia:
A colheita pode ser manual ou mecanizada. No Brasil, a mecanização predomina nas grandes fazendas.
Depois de colhido, o algodão em caroço segue para a usina de beneficiamento, onde ocorre o descaroçamento: a pluma é separada das sementes, que viram óleo, ração ou nova semeadura. A pluma é prensada em fardos e classificada por comprimento de fibra, resistência, finura e cor. Fibras mais longas geram fios mais finos e macios.
Na fiação, os fardos são abertos, limpos e penteados até que as fibras fiquem paralelas. Em seguida, são torcidas para formar o fio. É uma etapa que consome muita energia elétrica, e a fonte dessa energia faz diferença no impacto final.
Com o fio pronto, vem a construção do tecido: tecelagem, para tecidos planos como a sarja do jeans e a tricoline, ou malharia, para as malhas das camisetas. Depois chega a fase mais sensível do ponto de vista ambiental — o beneficiamento, que inclui alvejamento, tingimento, estamparia e acabamentos que dão maciez ou evitam amassados.
É aí que se concentra o consumo de água industrial e o risco de efluentes com corantes e produtos químicos. Estações de tratamento eficientes e processos com menos banhos de tingimento reduzem esse peso, mas nem toda empresa investe nisso.
Na confecção, o tecido é enfestado, cortado e costurado. O desperdício de retalhos pode ser significativo quando o encaixe dos moldes é mal planejado.
Para o consumidor, a etiqueta é o primeiro ponto de leitura. Alguns sinais úteis:
Algodão reciclado, feito a partir de retalhos e peças descartadas, também ganha espaço. As fibras ficam mais curtas e costumam ser misturadas a fibras novas, mas cada quilo reaproveitado evita uma nova safra de água, solo e energia.