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Como calcular o preço de venda de uma peça autoral sem ter prejuízo

4 de novembro de 2026 · 4 min de leitura
Resumo
Plateia aplaudindo durante apresentação em sala de treinamento

Muita marca pequena descobre o prejuízo só no fim do mês, quando as vendas foram boas e, mesmo assim, o dinheiro não fechou a conta. O problema quase sempre está no preço: calculado de cabeça, copiado da concorrência ou definido apenas a partir do tecido. Saber como calcular preço de roupa com método é o que separa um ateliê que sobrevive de outro que trabalha muito para pagar para produzir. O caminho passa por cinco etapas.

Etapa 1: custo de matéria-prima

Comece pela ficha técnica da peça e liste tudo o que entra nela, com a quantidade consumida por unidade:

Multiplique cada item pelo preço unitário pago ao fornecedor, incluindo frete da compra. Um erro frequente é esquecer a perda de tecido: o encaixe dos moldes nunca aproveita 100% do rolo.

Etapa 2: mão de obra

Se a costura é terceirizada, o valor pago à oficina por peça entra aqui. Se é você quem costura, calcule quanto vale sua hora. Uma forma simples: defina quanto quer receber por mês e divida pelo número de horas produtivas trabalhadas. Depois, multiplique pelo tempo gasto em cada peça, contando corte, costura, acabamento e passadoria.

Não inclua aqui o tempo de criação, atendimento e redes sociais. Esse trabalho entra na próxima etapa.

Etapa 3: custos fixos rateados

São as despesas que existem mesmo que você não venda nada: aluguel do ateliê, energia, internet, contador, manutenção de máquinas, programas, pró-labore do tempo administrativo, marketing. Some tudo o que é mensal e divida pela quantidade média de peças produzidas no mês.

Esse número costuma assustar quem nunca fez a conta, mas ignorá-lo é a principal causa de preço baixo demais.

Etapa 4: impostos, taxas e margem

Sobre o preço de venda incidem percentuais que precisam ser considerados: impostos do regime tributário da empresa, taxa da maquininha ou do meio de pagamento, comissão do marketplace ou do lojista, se houver. Informe-se com o contador sobre a alíquota do seu enquadramento.

A margem de lucro é o que sobra para reinvestir e fazer a marca crescer. Ela também entra como percentual sobre o preço.

A fórmula mais usada é:

Preço de venda = custo total ÷ (1 − soma dos percentuais)

Os percentuais são escritos em decimal. Somar percentuais ao custo, em vez de dividir, gera um preço menor do que o necessário, porque os impostos e taxas incidem sobre o valor final, não sobre o custo.

Exemplo com uma peça fictícia

Uma marca autoral produz uma camisa de linho. Os números abaixo são ilustrativos:

Percentuais sobre a venda:

Cálculo: R$ 140 ÷ (1 − 0,30) = R$ 140 ÷ 0,70 = R$ 200.

Conferindo: de R$ 200, saem R$ 12 de impostos, R$ 8 de taxa e sobram R$ 40 de lucro, depois de pagar os R$ 140 de custo. Se a marca tivesse apenas somado 30% ao custo, o preço seria R$ 182: descontados impostos e taxa (R$ 18,20) e o custo, o lucro cairia para cerca de R$ 24, bem abaixo dos R$ 40 planejados.

Se a peça for vendida para lojistas no atacado, o raciocínio é o mesmo, mas a margem costuma ser menor, e o preço sugerido ao consumidor final precisa comportar a margem da loja.

Etapa 5: comparar com o mercado

Com o preço calculado, pesquise peças semelhantes em qualidade e proposta. Se o seu valor ficou muito acima, revise custos: fornecedores, consumo de tecido, tempo de costura. Se ficou abaixo, avalie se não há espaço para valorizar o trabalho autoral. O preço de mercado é referência, mas nunca deve vir antes da conta de custos.

O que você ainda pode perguntar

O que é markup na precificação de roupas?
É o índice multiplicador aplicado ao custo para chegar ao preço de venda. No exemplo, dividir por 0,70 equivale a multiplicar o custo por cerca de 1,43.
Devo incluir meu salário no custo da peça?
Sim. O tempo de produção entra como mão de obra, e o tempo de gestão e criação entra nos custos fixos rateados. Sem isso, o preço não remunera seu trabalho.
Com que frequência devo revisar os preços?
Sempre que houver mudança relevante em custo de materiais, taxas ou volume de produção, e pelo menos uma vez por coleção.